O céu gotejava fortemente enquanto as lagrimas escorriam sobre o rosto dela. Encontrava-se em um quarto frio, presa a pensamentos contínuos que não a deixavam nem por um instante. Sussurros atordoavam-lhe a cabeça como uma espada fere o peito de um guerreiro. E seus olhos permaneciam fechados como os de uma criança se fecham ao deitar-se na cama temendo a escuridão. Entre um pensamento e outro, nada se esclarecia, só fazia-se mais confuso à medida que o tempo passava. A vontade de reverter o jogo que até então estava perdido, não passava de uma intenção. Debruçou-se sobre a janela, que até então nunca havia sido aberta e ali permaneceu. O vento tocava seu rosto e sua pele resistia à soma de arrepios que eram sentidos ao passar do tempo. Seus braços estavam descobertos, quase que congelando por assim dizer, e o agasalho havia de estar longe.
Aos poucos vai perdendo os sentidos e seu corpo cai, conforme o poema é posto ao chão por seu escritor insatisfeito.
Seus lábios se tocam.
Seus olhos se fecham.
Sua pele congela.
Sua mente esvazia.
Sua alma descansa.
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